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09/04/2011

21 Grams

Um novo coração



Esse filme não fala sobre perder aquele peso ao morrer, que não conseguiste, em vida, perder em dieta alguma.

Esse filme fala sobre ganhar um novo coração. Literalmente ou metaforicamente.

Fala sobre queda e redenção na vida de um homem. Sobre a alternância cíclica entre cair e levantar.

E fala disso numa linha mais natural, biológica e científica, e numa outra linha mais figurativa, semiótica, religiosa.

Dois homens que possuíam corações sujos, encontram seus corações limpos e os tem sujos novamente. Resta a saber o esforço e a possibilidade de vê-los limpos novamente.

15/02/2011

Mexicanas

FALAM POR ELES:
Amores Perros
21 Grams
Biutiful
Y tu Mamá También
Children of Men
El Laberinto del Fauno
The Orphanage

Biutiful

o melhor dos melhores,
já há muito dito aqui.

ps: o rosto de Penélope fosse e outro seria o nome.

05/02/2011

Necrologia

THAT´S WHAT´S BIUTIFUL:


sem querer, iremos.

?
que estética da morte perante a vida
se tudo que é vida (a)a morte evita.


Verão

Este fevereiro azul
como a chama da paixão
nascido com a morte certa
com prevista duração

deflagra suas manhãs
sobre as montanhas e o mar
com o desatino de tudo
que está para se acabar.

A carne de fevereiro
tem o sabor suicida
de coisa que está vivendo
vivendo mas já perdida.

Mas como tudo que vive
não desiste de viver,
fevereiro não desiste:

VAI MORRER, NÃO QUER MORRER.

E a luta de resistência
se trava em todo lugar:
por cima dos edifícios
por sobre as águas do mar.

O vento que empurra a tarde
arrasta a fera ferida,
rasga-lhe o corpo de nuvens,
dessangra-a sobre a Avenida

Vieira Souto e o Arpoador
numa ampla hemorragia.
Suja de sangue as montanhas,
tinge as águas da baía.

E nesse esquartejamento
a que outros chamam verão,
fevereiro ainda em agonia
resiste mordendo o chão.

Sim, fevereiro resiste
como uma fera ferida.
E essa esperança doida
que é o próprio nome da vida.


VAI MORRER, NÃO QUER MORRER.
Se apega a tudo que existe:
na areia, no mar, na relva,
no meu coração - resiste.


F. Gullar

NO, NO ME VOY A MORIR, NO.

07/09/2009

Vide e Duvide


Ensaio Sobre a Cegueira - de Fernando Meirelles, baseado em José Saramago.





Parábola do Cego - de Pieter Bruegel, baseado em Jesus Cristo.

13/06/2009

Cheiro do Ralo

"O Templo é sagrado porque não está a venda."
É bem conhecida a passagem bíblica em que Jesus, indignado, age de maneira intempestiva, a reprimir os comerciantes que se alojavam no templo.

E na esteira do pensamento binário e antinomial que acompanha a humanidade, uma das dicotomias mais presentes e intrigantes é a que se dá entre o Sagrado e o Profano.

E é interessante como o dinheiro é visto como o principal agente profanador, capaz de dessacralizar o mais sublime objeto.

Talvez, por isso, o conselho, em outra famosa passagem bíblica, que diz não se poder ter dois senhores. Ou Deus, ou Mamôn. Ou o sagrado, ou o profano. Ou o santo, ou o dinheiro.

A moeda sempre foi vista como algo moralmente sujo, um mal necessário. E a cobrança de juros, que é a forma de se fazer mais dinheiro a partir do dinheiro, era proibida na Antiguidade e na Idade Média. Cabendo essa tarefa suja, de emprestar a juros, aos judeus, que se lançavam a esse trabalho, uma vez que eram impedidos de realizar outras funções julgadas mais dignas. O Mercador de Veneza, de Shakespeare, esclarece bem tal situação.

Há a condenação à prostituição, que é ceder o corpo, que é templo, por dinheiro. A prática profana do sexo. Instigante é o silêncio em relação à escravidão.

E, por isso tudo, são bastante nevrálgicas as questões referentes a indulgências e dízimos.

Sabemos que o dinheiro pode comprar as coisas belas e úteis. Mas os valores que atribuimos às coisas é de fato bastante subjetivo.

Mas o valor que damos às coisas sagradas, esse é um valor inatingível. O dinheiro não pode comprar o que é sacro. E se o dinheiro compra, sacro não pode ser. Por isso a citação do provérbio oriental no princípio do texto.

Mas sagrado, para nós, pode ser qualquer coisa que não tenha preço. Uma mera fotografia, uma caixinha de jóias sem jóia alguma.

E daí a dura crueldade do personagem de Selton Melo no filme que dá nome a esse post. Ele nada mais é do que um profanador. Pessoas em desespero vem a ele, para vender o que lhes resta de mais sagrado. E ele as humilha, comprando por um baixo preço, ou, o que é pior, se recusando a pagar qualquer preço, por menor que seja.

Mas por outro lado, se contenta em pagar as maiores somas de dinheiro para ter o que acha importante. Seja a bunda, o sexo, um olho de vidro ou uma perna mecânica.

Se recusa a fazer sexo por amor. Um sexo sagrado. Quer comprar o sexo, pagá-lo, profanizá-lo.

E a sagrada figura paterna, ausente em sua vida, ele a compra, por partes, a prestações, para montar seu próprio pai, um robô profano.

10/04/2009

Linha de Passe

Dois fatores de coesão são
futebol e religão.

E sendo a religiao muuuuito mais antiga que o futebol,
surge o futebol como religião.

Veja o filme de Walter Salles.