03/09/2011


"Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode,

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo."



Poema de Sete Faces - Alguma Poesia. ( O primeiro poema do primeiro livro)

Pernas pra que te quero
se bondes tenho?

Os homens correm atrás das mulheres, nada mais natural que isso.
E vão homens e mulheres inertes dentro do bonde, o quê mais cultural que isso?

As casas se movem como a Terra e espiam,
as mulheres, pretas brancas amarelas,
se movem como os bondes,
os homens se co-movem como o diabo.

Evidenciados os contrastes:
A tradição e A inovação.
O ir a pé e O viajar de bonde.

Está presente entre o poeta passado que,
bêbado e romântico,
se comove e se move ao mundo à lua a deus ao diabo a rima a conhaque
e de coração vasto indaga.

E o poeta futuro que se move a terra à casa
e não se comove a nada e por trás dos óculos
apenas olha e espia sem perguntas por trás do bigode.

Link imediato com o Satélite de Bandeira
e com o Olhar de Caeiro.

Satélite

"Fim de tarde.
No céu plúmbeo
A lua baça
Paira.

Muito cosmograficamente
Satélite.

Desmetaforizada,
Desmitificada,

Despojada do velho segredo de melancolia,
Não é agora o golfão de cismas,
O astro dos loucos e enamorados,
Mas tão somente
Satélite.

Ah! Lua deste fim de tarde
Desmissionária de atribuições românticas;
Sem show para as disponibilidades sentimentais!

Fatigado de mais-valia,
gosto de ti, assim:
Coisa em si"

II - O Meu Olhar

"O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de, vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender ...

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar ...
Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar..."

27/08/2011

O Bonde do Drummond


vamos todos dançar
entre o bonde e a árvore


Drummond é o poeta do movimento. Do encontro. Do ir e vir e mais ficar. Do dar as mãos e caminhar.

É o Poeta presente entre Passado e Futuro. O Movimento presente entre Árvore e Bonde.

A Dança. A Poesia. Entre Natureza e Cultura.

O bonde e outros meios são figuras constantes na temática do itabirano.

Pretendemos, a partir de agora, simplesmente citar, eventualmente criticar algumas dessas imagens que compõem a obra do artista.

Bon voyage.

31/07/2011

corpOiticica

é no toque a influência

O contato modifica e contamina.
Um templo, como um museu, onde se proibe o toque
é o ponto onde se quer evitar todo contágio e metamorfose.


Please, DO NOT TOUCH

26/07/2011

Tabuletas

Do barro ao silicone.
Um estudo sobre a evolução do homem e suas tecnologias de informaçāo.

29/06/2011

john e joão

para a pressa, Saramago vai tão mal quanto Coltrane.
para a perfeição, vão ambos muito próximos.

28/06/2011

Mujeres Fertiles

Vênus Paleolítica
Todo o destaque é dado ao tronco da mulher, sendo condiderado a parte mais importante do corpo feminino, mais especificamente seios e útero. Face e membros vão praticamente desprezados.


Vênus Pré-Hispânica

Face e membro vão descartados de fato. Somente a presença do(s) tronco(s) farto(s).

As culturas xamânicas do noroeste sulamericano (anteriores ao domínio espanhol) enxergavam o cosmos em três dimensões:

1 - sub-terrânea ou aquática, templo da escuridão;

2 - super-terrena ou aérea, templo da claridade;

3 - terrena, templo dos homens e dos jaguares (vide San Agustín) e das sombras (proximamente a Platåo?).

Tal figura, vista a partir das duas primeiras realidades (cima ou baixo), pode se assemelhar a uma coisa qualquer.

Porém, quando vista a partir de qualquer ponto de vista terreno (frente, costas, esquerda, direita), será sempre um útero e dois seios fartos. Uma natureza fértil.



Vênus Botera
Noroeste sulamericano atual. Colombia pós Colombo. Mulher readquire face e membros definidos.

Joelho esquerdo apontado, braço esquerdo inclinado sobre a nuca, face ligeiramente voltada à esquerda. Expressão que se encontra entre a calma e a excitação. Um sono tranquilo, um sonho criativo. Deitada de uma maneira que ainda valoriza o componente biológico de sua sensualidade, mas que já reconhece seu componente cultural.


Vênus Superreal

Novamente sem membros. Perde agora seu tronco. Ausência de úteros e quase de seios. Todo o foco na face.

Algum reconhecimeto à criatividade biológica, mas valorizaçåo sobrepujante da fertilidade cultural do feminino.

Este post é uma homenagem a esse blog.