a teoria, na prática, é outra.
É mais facil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos Céus
90% dos santos da igreja católica são oriundos da classe alta, 7% da classe média e 3% da classe baixa.
05/04/2009
04/04/2009
Cabral e eu

O Afiador de Facas, Malevich
É-me permitido, ao menos em meu blog, emparelhar um poema meu a um poema do Homem de Ferro. E de Pedra.
A JCMN
os homens são fracas
facas de cortar palavras
da bainha a lâmina sai
logo se corta uma palavra
as palavras vão como águas
afiando aquelas facas
éguas que amolam o duro
touro que as ataca
mas mais dourados que sejam
seu falo, seu falo, seu falo
o boi cornado nunca
fecunda o que é do cavalo
http://www.revista.agulha.nom.br/joao05.html
Eros e Psiquê
Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.
A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,
E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.
Fernando Pessoa
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.
Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.
A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.
Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.
Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.
E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,
E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.
Fernando Pessoa
De Masi, Osmar e Eu
Um poema dedicado recentemente, nesse blog, a um amigo recente, vai explicado pelas palavras de Domenico de Masi, o sociólodo do trabalho, do ócio, do lazer, da tecnologia, da estética e da arte, em seu livro Grupos Criativos.
"Os caçadores prosseguirão durante séculos a perseguir as suas presas, mas o espírito da pesquisa se transferirá, aos poucos, da aventura física da caça à aventura espiritual da ciência e da arte.
Eu, que escrevo este livro, os milhares de cientistas e artistas que neste mesmo momento estão trabalhando nos seus laboratórios, nos seus ateliês, nos seus estúdios, não fazemos outra coisa senão repetir na escrivaninha ou na prancheta, e de forma abstrata, aqueles mesmos atos de exploração, perseguição e criação que os nossos antepassados hominídeos praticavam materialmente nas estepes e cavernas."
"Os caçadores prosseguirão durante séculos a perseguir as suas presas, mas o espírito da pesquisa se transferirá, aos poucos, da aventura física da caça à aventura espiritual da ciência e da arte.
Eu, que escrevo este livro, os milhares de cientistas e artistas que neste mesmo momento estão trabalhando nos seus laboratórios, nos seus ateliês, nos seus estúdios, não fazemos outra coisa senão repetir na escrivaninha ou na prancheta, e de forma abstrata, aqueles mesmos atos de exploração, perseguição e criação que os nossos antepassados hominídeos praticavam materialmente nas estepes e cavernas."
30/03/2009
Nei Lopes
control + c; control + v no blog do Nei
O OLHO MAIS AZUL
O respeitável público, com toda a razão, cobra um pronunciamento do Lote sobre a metáfora dos “olhos azuis” espanada pelo Presidente Lua na cara dos banqueiros internacionais. Mas o pronunciamento já tinha sido feito, em 2004, na primeira edição da Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana, que estamos revisando e atualizando para futura edição. Vejam estes dois verbetes:
“LOURO, Idealização do tipo. - A idealização e a angelização do indivíduo branco de cabelos louros parecem ser, segundo Gilberto Freyre, reações à supervalorização da beleza “moura” na Europa medieval. Assim, ao mito e às lendas da Moura Encantada, que se dizia possuir beleza perturbadora, seguiram-se os da Moura Torta, esta aleijada e feia, com a associação dos não-brancos a anjos maus, traidores e decaídos, e do tipo louro a personagens divinas e angelicais. Entretanto, segundo o historiador grego Heródoto, os antigos egípcios evitavam a companhia de pessoas de rosto claro e cabelos ruivos, por considerá-las maléficas; e, no tempo em que os sacrifícios humanos eram usuais, indivíduos louros eram estrangulados sob o túmulo de Osíris* ou queimados vivos.”
“BLUEST EYE, The. Romance de estréia da escritora Tony Morrison*, publicado em 1969 e lançado no Brasil, em 2003, sob o título O olho mais azul. Nele, a autora questiona o papel das bonecas brancas de olhos azuis na formação psicológica das meninas negras. De objeto de sonho elas se tornariam um pesadelo, atormentando essas meninas com a constatação de que só com olhos azuis poderiam exercer magia e fascínio, obtendo, em troca, carinho e meiguice. No Brasil, no final do século XX, a indústria de brinquedos – talvez sensibilizada, mercadologicamente, por esse tipo de questionamento – começava timidamente a fabricar bonecas negras. Ver LOURO, Idealização do tipo.”
O OLHO MAIS AZUL
O respeitável público, com toda a razão, cobra um pronunciamento do Lote sobre a metáfora dos “olhos azuis” espanada pelo Presidente Lua na cara dos banqueiros internacionais. Mas o pronunciamento já tinha sido feito, em 2004, na primeira edição da Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana, que estamos revisando e atualizando para futura edição. Vejam estes dois verbetes:
“LOURO, Idealização do tipo. - A idealização e a angelização do indivíduo branco de cabelos louros parecem ser, segundo Gilberto Freyre, reações à supervalorização da beleza “moura” na Europa medieval. Assim, ao mito e às lendas da Moura Encantada, que se dizia possuir beleza perturbadora, seguiram-se os da Moura Torta, esta aleijada e feia, com a associação dos não-brancos a anjos maus, traidores e decaídos, e do tipo louro a personagens divinas e angelicais. Entretanto, segundo o historiador grego Heródoto, os antigos egípcios evitavam a companhia de pessoas de rosto claro e cabelos ruivos, por considerá-las maléficas; e, no tempo em que os sacrifícios humanos eram usuais, indivíduos louros eram estrangulados sob o túmulo de Osíris* ou queimados vivos.”
“BLUEST EYE, The. Romance de estréia da escritora Tony Morrison*, publicado em 1969 e lançado no Brasil, em 2003, sob o título O olho mais azul. Nele, a autora questiona o papel das bonecas brancas de olhos azuis na formação psicológica das meninas negras. De objeto de sonho elas se tornariam um pesadelo, atormentando essas meninas com a constatação de que só com olhos azuis poderiam exercer magia e fascínio, obtendo, em troca, carinho e meiguice. No Brasil, no final do século XX, a indústria de brinquedos – talvez sensibilizada, mercadologicamente, por esse tipo de questionamento – começava timidamente a fabricar bonecas negras. Ver LOURO, Idealização do tipo.”
Religare
Pouco me importam os compêndios de ética metáfica, e se Deus e a vida após a morte existem ou não.
E tão pouco me importa se existem ou não existem o Bem supremo e o Mal absoluto.
Não me importa a genitália dos anjos, não me importa quem criou o criador.
O que me importa é a função social da fé, das religiões e suas crenças.
Como a religião organiza a sociedade. E como a sociedade se organiza em torno da religião.
E tão pouco me importa se existem ou não existem o Bem supremo e o Mal absoluto.
Não me importa a genitália dos anjos, não me importa quem criou o criador.
O que me importa é a função social da fé, das religiões e suas crenças.
Como a religião organiza a sociedade. E como a sociedade se organiza em torno da religião.
Ponto e Vírgula
"quem fez, sabe que faz."
Me parecem ser, as questões de pontuação, as questãos menos relevantes da linguagem e de seus respectivos estudos.
Digo isso em relação à importância da fonética, da morfologia, da sintaxe e da semântica.
Me parece que a pontuação não influi em nada nos dois primeiros campos e quase nada nos dois últimos.
E, salvo minha rotunda ignorância, me parece que, na linguística, temos geniais estudos de fonologia, morfossintaxe e semântica, e muito pouca coisa em questão de pontuação. Creio que Chomsky seja um exemplo, e Russell talvez seja outro.
Um exemplo bem lúdico de observar a arbritariedade e imprecisão da pontuação na língua portuguesa me parecem ser os romances ou ensaios de José Saraamgo.
E um exxemplo bem interessante me parece ser o fato de Franz Kafka cometer inúmeros erros de pontuação nos seus romances e dar enorme trabalho a seu revisor. Se os erros de Kafka fossem de semântica, estilo, ou raciocínio...
É o que me parece.
Me parecem ser, as questões de pontuação, as questãos menos relevantes da linguagem e de seus respectivos estudos.
Digo isso em relação à importância da fonética, da morfologia, da sintaxe e da semântica.
Me parece que a pontuação não influi em nada nos dois primeiros campos e quase nada nos dois últimos.
E, salvo minha rotunda ignorância, me parece que, na linguística, temos geniais estudos de fonologia, morfossintaxe e semântica, e muito pouca coisa em questão de pontuação. Creio que Chomsky seja um exemplo, e Russell talvez seja outro.
Um exemplo bem lúdico de observar a arbritariedade e imprecisão da pontuação na língua portuguesa me parecem ser os romances ou ensaios de José Saraamgo.
E um exxemplo bem interessante me parece ser o fato de Franz Kafka cometer inúmeros erros de pontuação nos seus romances e dar enorme trabalho a seu revisor. Se os erros de Kafka fossem de semântica, estilo, ou raciocínio...
É o que me parece.
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