15/05/2011

Axiologia

O Homem Semiótico preenche sua existência com valores éticos, estéticos e epistemológicos, os quais nem sempre vão tão bem separados uns dos outros.

O Homem Automático, so far, só tem sido capaz de juízos epistemológicos, mas já há quem vislumbre máquinas morais para um futuro não tão remoto.

14/05/2011

autopoiese

O homem constroi-se seus deuses. E são linguagens suas ferramentas.

Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado
para que qualquer padrão surja
para que cada padrão desapareça
mera questão de tempo
mera questão de tempo

Sexta-feira, 13.

Como fomos e temos sido devorados
Strange

13/05/2011

TransInstrumento

Gosto de pensar as humanidades em quatro eixos:
- arquivista (arquivologia, biblioteconomia, museologia);
- evolutivo (história, arqueologia);
- ontológico (sociologia, antropologia);
- narrativo (mitologia, tragédia, literatura).

Penso em reduzir o eixo evolutivo à intertemporalidade do eixo ontológico. E imagino o eixo ontológico tendo como base o eixo arquivista e o eixo narrativo como ferramenta.

Porém, a medida que nossos arquivos vão-se tornando cada vez mais digitalizados e automatizados, nossas ferramentas vão-se tornando cada vez mais algorítmicas.

Se o homem semiótico se define pela narrativa, o homem automático vai-se definindo pela matemática.

E na busca pelo homem a poesia vai dando lugar à probabilidade, o cinema vai cedendo espaço à computação.

Desquadro


Por ser tão fluida a língua, se faz tarefa muito árdua sua descrição, e sua normatização impossível.

Pois, se a primeira lhe vai sempre a um passo atrás. A segunda lhe vai sempre muito mais depois.

E tais se extendem a quais códigos se queira.

Enquanto nas bocas há muito já vai o brasileiro, em gramáticas ainda se quer fazer vir o latim, pois os defuntos estão muito mais sujeitos às fotografias.

03/05/2011

Iñárritu x Arriaga

Depois de ver o rumo de seus trabalhos depois do divórcio, sou obrigado a dar toda a razão ao diretor e tirá-la toda do roteirista, por mais respeito que possa eu ter aos roteiristas, mas nunca respeitei tanto um diretor como esse.