27/08/2011

O Bonde do Drummond


vamos todos dançar
entre o bonde e a árvore


Drummond é o poeta do movimento. Do encontro. Do ir e vir e mais ficar. Do dar as mãos e caminhar.

É o Poeta presente entre Passado e Futuro. O Movimento presente entre Árvore e Bonde.

A Dança. A Poesia. Entre Natureza e Cultura.

O bonde e outros meios são figuras constantes na temática do itabirano.

Pretendemos, a partir de agora, simplesmente citar, eventualmente criticar algumas dessas imagens que compõem a obra do artista.

Bon voyage.

31/07/2011

corpOiticica

é no toque a influência

O contato modifica e contamina.
Um templo, como um museu, onde se proibe o toque
é o ponto onde se quer evitar todo contágio e metamorfose.


Please, DO NOT TOUCH

26/07/2011

Tabuletas

Do barro ao silicone.
Um estudo sobre a evolução do homem e suas tecnologias de informaçāo.

29/06/2011

john e joão

para a pressa, Saramago vai tão mal quanto Coltrane.
para a perfeição, vão ambos muito próximos.

28/06/2011

Mujeres Fertiles

Vênus Paleolítica
Todo o destaque é dado ao tronco da mulher, sendo condiderado a parte mais importante do corpo feminino, mais especificamente seios e útero. Face e membros vão praticamente desprezados.


Vênus Pré-Hispânica

Face e membro vão descartados de fato. Somente a presença do(s) tronco(s) farto(s).

As culturas xamânicas do noroeste sulamericano (anteriores ao domínio espanhol) enxergavam o cosmos em três dimensões:

1 - sub-terrânea ou aquática, templo da escuridão;

2 - super-terrena ou aérea, templo da claridade;

3 - terrena, templo dos homens e dos jaguares (vide San Agustín) e das sombras (proximamente a Platåo?).

Tal figura, vista a partir das duas primeiras realidades (cima ou baixo), pode se assemelhar a uma coisa qualquer.

Porém, quando vista a partir de qualquer ponto de vista terreno (frente, costas, esquerda, direita), será sempre um útero e dois seios fartos. Uma natureza fértil.



Vênus Botera
Noroeste sulamericano atual. Colombia pós Colombo. Mulher readquire face e membros definidos.

Joelho esquerdo apontado, braço esquerdo inclinado sobre a nuca, face ligeiramente voltada à esquerda. Expressão que se encontra entre a calma e a excitação. Um sono tranquilo, um sonho criativo. Deitada de uma maneira que ainda valoriza o componente biológico de sua sensualidade, mas que já reconhece seu componente cultural.


Vênus Superreal

Novamente sem membros. Perde agora seu tronco. Ausência de úteros e quase de seios. Todo o foco na face.

Algum reconhecimeto à criatividade biológica, mas valorizaçåo sobrepujante da fertilidade cultural do feminino.

Este post é uma homenagem a esse blog.

23/06/2011

Tapeçaria

Carpete de Sierpinski

A Ciência do Renascimento, de Decartes, Pascal, Leibniz, Newton, afastava a filosofia que vinha desde a Antiguidade e perpassava o Medievo e ratificava o afastamento prévio de toda a Mitologia por trás da Antiguidade.

Foi época dos surgimentos da Geometria Analítica, Cálculo Infinitesimal, Diferencial e Integral, entre outras coisas.

Num período de 2 a 3 séculos, foram feitos avanços, respondidas perguntas e permitidos novos questionamentos, graças a essas novas abordagens epistemológicas. O que acarretou numa confiança prepotente de dentro em pouco, à época, se encontrar resolvidas todas as questões de saberes a respeito do universo. Era a época do determinismo.

Porém, a ciência contemporânea, distinta da moderna, esta de autores já citados, e aquela de Gibbs, Lorentz, Brown, Eintein, Poincaré, Heisenberg, e mais, é a ciência da contigência.

Nesse interím, na ponte entre as epistemologias antigas e as modernas, temos a fundamental e sobremaneira olvidada cultura árabe, que dentre outras coisas, nos legou a notação arábica dos algarismos de 0 ao 9 e o conceito do número zero.

E no fundamento desta cultura, o tapete é pilar básico, vide os persas e seus motivos geométricos, bem como as narrativas de Alladin. Pois o tapete, peça robusta, que leva os fios em fina sintonia e em iteradas interações através dos nós pode adquirir vida e inteligência.

Nas epistemologias contemporâneas a noção de rede é essencial. Entendidas, tais redes, como sistemas de informação onde entes (seus elementos) estão em constante comunicação, o que, por sua vez, permite o surgimento de padrões e ritmos, dos mais simples aos mais complexos. E essa é uma abordagem que tem sido aplicada desde a física com seus átomos e quarks, até a sociologia com os humanos e suas convenções, passando pela biologia e pela química com suas células e moléculas.

É interessante perceber que, diferindo entre si, mantém certos laços os diversos tipos de abordagem ao longo do eixo histórico e geográfico.

Retornando às epistemologias antigas e suas metodologias mitológicas, gostaríamos de fazer referência e prestar referências às narrativas de Penélope e Ulisses.

Texto e Tecido possuem a mesma origem etimológica, por isso, o tecer e destecer de Penélope pode ser compreendido com o fazer e desfazer discursos ao longo do curso. O fazimento dos discursos mitológicos e o seu desfazimento e a consequente confecção dos discursos filosóficos e o desmanche desses últimos discursos para o que os discursos mais recentes, os científicos, possam ser costurados e depois descosturados para o surgimento de outros discursos vindouros.

E ainda aproveitando os tecidos e textos, o encordoamento do arco de Ulisses representa a capacidade de pesquisa e a competência metodológica, pois, muito antes do Google, foram as lanças e flechas nossos principais instrumentos de pesquisa.

As epistemologias antigas, aproveitando os conceitos de redes, tapetes, carpetes, fios, laços, nós, textos, tecidos, enseja o casal mítico e representa toda a sanha humana a respeito da produção de pesquisas, de conhecimento do cosmo e de representação da realidade.

E essa chama vai sendo alimentada, nesses dias, por pesquisas em sistemas complexos e geometria fractal, por exemplo.