17/07/2010

Plumas


“Leves como penas pousando no chão”.
(Oscar Niemeyer)

As colunas do Palácio do Planalto representam a plástica de uma bailarina.
Por seus movimentos de curvatura, é claro.
("O que me atrai é a curva livre e sensual")

Mas ainda mais por todo o peso que vai sustentado pelo minúsculo ponto de contato com o solo e por todo um equilíbrio instável, dinâmico e caótico que nos dá a sensação de uma leveza singular, como se um único pingo de chuva estivesse a firmar todo o céu.



"Se conseguimos fazer que um lápis fique de pé sobre sua ponta, o equilíbrio será instável. A menor pertubação o fará cair para um lado ou para o outro."
(Ilya Prigogine, O Fim das Certezas)

E ainda persistem as colunas de Niemeyer, curvas como as colinas, leves como os sorrisos, dinâmicas como os amores, projetando, em estruturas fixas, todo o movimento, ligeireza e fluidez que a vida tem.

13/07/2010

cuidado com o cão! soltem os cachorros!


"temos as línguas como os cachorros"


Todo cão tem seu rabo. É de sua natureza.

E se um cão a outro cão lhe morde o rabo, esse outro cão pode, pausadamente e poderadamente, argumentar e tentar convencer um cão a lhe soltar o rabo.
Ou deve, instintivamente e pavlovianamente, morder o rabo do cão que lhe morde o rabo.

E assim, o ciclo está completado. O Tudo-Nada, O Alfa-Ômega, O Yin-Yang, O Oroboro canino se define.
(E diante disso, tudo que se pode é rosnar, pois latir já é soltar o rabo alheio. Enquanto os pensadores estão a divagar que cão mordeu primeiro.)

Não que seja de meu feitio reduzir todas as implicações filosóficas, artísticas, religiosas e científicas do círculo à mera questão de cão.

Mas vos disse a vós, Salomão: tudo é vaidade.
Eis que vos digo eu: tudo é rinha.

Mas nem nisso originalidade há, pois muito antes de mim, Arriaga e Inarritu já me disseram que, humanos que somos, nada mais somos que cachorros com gramática.



Suzana ao chegar em casa do colégio, abre a portão e deixa Cofi escapar. Ele está prestes a se revelar um exímio "homicida".



El Chivo com um integrante de sua matilha. Intelectual esquerdista e professor universitário, El Chivo abandona a carreira acadêmica para embrenhar-se na guerrilha armada contra um governo ditatorial de extrema direita. Vai preso por um investigador medíocre e se torna mendigo e matador de aluguel. Qualquer semelhança com Karl Marx não é pura aparência. Ou mera coincidência.



Cena final. Cofi(o cão) recuperado de ferimento a bala. El Chivo(a cabra) de barba feita e cabelo cortado. Caminham juntos ao horizonte. Um vai como sombra do outro.



Filme mexicano, genial, que celebra dez anos esse ano e deve ser muito comemorado.

11/07/2010

esquinas em que estive - etc

Ainda são muitas as rodas que poderiam ser citadas aqui, desde o Carioca da Gema na Rua Mem de Sá, a 100 metros dos Arcos da Lapa, bem perto do Semente e do Arruda.

Também o pagode do Cacique de Ramos, de onde surgiu toda a nata do Fundo de Quintal; Zeca Pagodinho, Almir Guineto, Beth Carvalho, Dona Ivone Lara, Jovelina Pérola Negra, Dudu Nobre, Arlindo Cruz, dentre outros, estiveram entre eles.

Há o Bip-Bip, em Copacabana, a 100 metros da praia, cujo dono, Alfredinho, é figura notória por ser mau-humor e rabujice.

Ainda há o pagode da Tia Doca, que faleceu recentemente, de onde muitos partideiros do cacique também participam, e que tem um feijão maravilhoso e uma cerveja bem gelada. Fica bem na beira da linha do trem na estação de Madureira, que Arlindo Cruz cita tão bem em seu samba "Meu Lugar".

Há também os sambas nas quadras das Escolas que ainda persistem apesar de toda Globalização, e de todos eles destaco a quadra mais recente da Portela, conhecida como Portelão, por ser maior que a quadra antiga, Portelinha. E que também fica pertinho da linha do trem em Madureira, na Rua Clara Nunes 81.

E todos os sambas que rolam pela Cidade Maravilhosa sejam famosos ou anônimos, como o Samba do Escadinha, onde orgazizávamos rodas de partido com o cavaco do Rômulo e o Tan-tan do Barreto, entre outros. E o Escada fica na Rua dos Artistas, bem em frente os falecido bar Estephanio´s muito frequentado por ninguém menos que Aldir Blanc, que reside nas redondezas.

E não podemos nos esquecer do dia 2 de Dezembro, Dia Nacional do Samba, dia em que os bairros de Madureira e Oswaldo Cruz, dos dois lados da linha do trem, apresentam um pagode em cada esquina, sem exageros.

esquinas em que estive - samba do trabalhador


Moacyr Luz. Tendo o Samba Luzia nas noites de sexta e o Samba da Ouvidor nas tardes de sábado, realiza(va) essa roda nas tardes de segunda-feira. Isso mesmo: segunda-feira! e o nome é mesmo esse Samba do Trabalhador, pois, como dizia o próprio Moa, como músico trabalha quinta, sexta, sábado e domingo, a segunda-feira é o final de semana deles.

E foi com esse espírito de final de semana que Moa começou a reunir músicos amigos no Clube Renascença para uma brincadeira, mas com o tempo a brincadeira virou coisa séria e o pagode começou a bombar.

O Clube Renascença fica no Andaraí, bairro em que nasci, bem na rua onde era o Centro de Tecnologia do Banco de Brasil do Rio de Janeiro, antes de ser todo tranferido para Brasília.

Frequentei esse pagode há 5 anos atrás, e como não tenho estado no Rio nas tardes de segunda, não sei se ele ainda existe. Mas fica o aviso, ou a lembrança.

esquinas em que estive - samba da ouvidor



Moacyr Luz organiza essa roda nas tardes de sábado na Travessa do Ouvidor, que é comecinho ou finalzinho da Rua do Ouvidor que é belamente cantada por Elis Regina na música "Black is Beautiful" (composição de Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle).

Bem pertinho da Praça XV na beirada da Baía de Guanabara.

Antigamente, o pagode era feito bem na Travessa, entre a Livraria Travessa e o Bar Antigamente.

Com o sucesso e a crescente aglomeração a Travessa foi ficando estreita, e hoje o samba é orgazinado em frente ao prédio da antiga Bolsa de Valores do RJ, onde fiz estágio.

esquinas em que estive - samba luzia


Moacyr Luz comanda a roda no Clube Santa Luzia, nas noites de sexta-feira, bem ao lado do Aeroporto Santos Dumont, já desembarquei e subi pro samba de mala e cuia.

O último pagode em que vi Luiz Carlos da Vila.

esquinas em que estive - pagode da arruda


Agora do lado de cá dos Arcos, vindo pela Rua do Riachuelo, suba à direita a ladeira em frente a Sinuca da Lapa para chegar ao Pagode da Arruda. No vídeo, Ilustre Dona Ivone Lara.